En el contexto del 5º Aniversario de la Laudato Sí’ te invito a reflexionar bajo la idea de que “Todo esta conectado”; así Laudato Sí’ no nos llama solo al cuidado de la naturaleza sino también a la lucha por la justicia social; especialmente para los migrantes, signo de los tiempos de hoy. En el siguiente artículo profundizo acerca de la importancia de responder cómo palautianos a este grito de la migración.

Hna. Laura Matamala , CMT

Licenciada en Ciencias Religiosas UPM (c)

O CARMELO PALAUTIANO: DA RESPOSTA AO GRITO DA MIGRAÇÃO

Aqueles de nós que pertencem à grande família do Carmelo Palautiano são migrantes de uma forma ou de outra e são convidados a viver a nossa experiência como tal.

Començo esta afirmação para dar um simples olhar sobre o tema da migração no momento presente, e como a partir de um olhar profundo podemos descobrir que esta realidade, atravessa a experiência vital de Francisco Palau.

A minha intenção nesta reflexão é encorajar-nos a olhar para o fenómeno da mobilidade humana (e mais do que para o problema em si, a focalizarnos na pessoa que vive dilacerada por essa situação), descobrindo nela uma raiz carismática que, em muitas ocasiões, não elevamos a um nível consciente.

Todos nós somos migrantes de uma forma ou de outra pelo simples fato de sermos caminhantes neste momento histórico em que estamos numa peregrinação em direcção a uma felicidade que não acaba. Certamente que a maioria de nós não vive hoje no lugar onde nasceu, em muitos casos nem sequer nos nossos países de origem e possivelmente nem mesmo nos nossos respectivos continentes. Isto porque cada um de nós na fé decidiu fazê-lo e vive-o como uma parte natural da nossa vocação missionária.

Por conseguinte, ter consciência deste facto deveria levar-nos a uma obrigação vital de nos ferirmos e de sermos solidários com milhões de pessoas onde a emigração não é por opção; mas onde se é vítima de um sistema injusto que as empobrece, as oprime e as leva a procurar noutras terras uma esperança de vida ou uma oportunidade de avançar.

Como filhas e filhos de Francisco Palau, somos chamados a ser especialistas em acolher, a ser uma casa aberta, pão quente e companheiras de viagem para aqueles que foram fechados a uma vida digna; e ainda mais triste, para aqueles que encontram tantos braços dobrados, incapazes de estender a mão.

E nós, como Carmelo Palautiano, estamos capacitados para isso porque temos a experiência de nos sentirmos esperados, recebidos e acolhidos com carinho; e daí podemos criar círculos virtuosos de inclusão que pouco a pouco tiram força às experiências de rejeição e violência, avançando cada vez mais para a realização do sonho de sermos Um, sobretudo valorizando os passos que demos e os que estamos prestes a dar, com a consciência clara de uma fraternidade universal.

Muito já foi dito, ou melhor, muito já se ouviu falar do fenómeno migratório. Segundo a Organização Internacional para as Migrações, a migração é a:

deslocação da população para ou dentro do território de outro Estado, que engloba toda a deslocação de pessoas independentemente da dimensão, composição ou causas, incluindo a migração de refugiados, deslocados, desenraizados e migrantes económicos” (OIM, 2006).

E o Papa Francisco, em Março de 2015, também se referiu a isto:

A migração está intimamente ligada à fome, à falta de trabalho, a esta tirania de um sistema económico que tem no seu centro um deus do dinheiro e não a PESSOA“.

Como podemos ver, é uma realidade que está diante dos nossos olhos. Todos, de uma forma ou de outra, se preocupam, se pronunciam e se ocupam com isso. E nós, tal como Carmelo Palautiano, fizemos uma reflexão séria sobre esta questão? Aquí esta a pergunta 

Como bem sabemos, todos os países têm o direito de salvaguardar as suas fronteiras, mas não à custa de sacrificar a dignidade da pessoa humana. Como Carmelo Palautiano, somos chamados a atravessar as diferentes fronteiras, desde um plano puramente literal até ao seu significado simbólico mais profundo, e a pedir ao Senhor que nos dê um olhar de migrante, que surge do facto de nos ter experimentado primeiro como sendo acompanhados e de nos conhecer como filhos de um exilado, de um homem que foi obrigado a procurar uma nova terra.

Gostaria de fazer aqui uma pequena pausa, na figura de Francisco Palau.  O Padre Palau foi um migrante do seu tempo, alguém que estava em movimento, um buscador por excelência daquilo que satisfacer o seu desejo mais profundo e mais essencial.

Como tantas pessoas que têm de deixar a sua terra e o povo que amam, o Padre Palau teve de abandonar naquele momento o seu desejo de intervir pela sua pátria sofredora, pela Igreja de uma Espanha sangrenta, pelos seus múltiplos apostolados, pelas missões populares e, sobretudo, pela vida de contemplação e penitência que levava com o seu irmão Juan na gruta de Aytona; tudo isto porque a sua palavra e a sua pessoa já começavam a incomodár. Foi desafiado a encontrar uma nova forma de dar resposta ao momento histórico que ele teve que viver.

Aqueles que emigram fazem a sua peregrinação com a memória daqueles que deixaram para trás; pai, mãe, esposa, filhas e filhos, especialmente os mais novos. Eis um testemunho desta separação:

Regressei a casa muito atencioso e cego quanto ao futuro. O que vai acontecer? Foi um dia triste e desagradável. Mal me apeteceu dizer uma palavra à minha mulher, e ela a mim. Saí da minha casa para a aldeia, eram 10 horas da manhã. Ao passar pela porta, disse à minha mulher: Adeus. Ela respondeu: Adeus, que corra tudo bem.

Parecia qualquer viagem que eu costumava fazer , sem perceber, que era uma separação e abandono total, entre ela e eu e a minha família...”

A maioria leva uma foto da família, uma carta da esposa que deixou, ou simplesmente a tristeza incontrolável do que aconteceu, como diz um testemunho:

Vim directamente para Los Angeles del pueblo (São Francisco Cajonos)… E quando saímos da cidadezinha foi triste e ficámos tristes por sair. Desde que partimos, não sabíamos quando é que íamos voltar” (Constancio Vasquez, índio Zapoteca).

Guardam no coração o rito de despedida que realizaram antes de partir, onde deram recomendações aos seus filhos e pediram a bênção dos pais.

Caminham com sentimentos confusos; por um lado, um profundo sentimento de esperança em encontrar algo melhor; porque emigrar não é por prazer, mas por necessidade. Por outro lado, sentem que estão a trair a sua própria terra, o seu país e a sua unidade familiar. Eis uma oração de um migrante guatemalteco:

Deus, dono e criador de todo o universo, e nosso criador, coração do céu e coração da nossa mãe terra, pedimos a tua permissão porque hoje vamos partir pisando outras terras, terras da tua mesma obra. Sabe a razão. A nossa terra, a terra dos nossos antepassados, perdoai-nos porque vos vamos abandonar; mas fazei-nos regressar em breve, porque em vós queremos morrer. Pai, avós dos nossos antepassados, a vós que já gozais de paz com o Criador, concedei-nos as vossas bênçãos. Tal como lutaram pelo nosso bem, também nós queremos lutar pelos nossos filhos e pelas gerações que virão depois de nós. Aos primeiros migrantes nesta terra, Abraão e à santa família, Jesus, Maria e José, pedimos a vossa protecção, para que este dia, e esta peregrinação que estamos prestes a iniciar, seja da vossa santa vontade. Tudo isto vos pedimos, Pai, em nome de Jesus

Quando um migrante consegue entrar em outro país, o facto de não ter documentos de identificação torna-o duplamente vulnerável, mas, ao mesmo tempo, permite-lhe sentir-se mais como família e não esquecer as suas origens.

Neste sentido, Francisco Palau no exílio encontrou a possibilidade de “espelhar” a sua identidade, conseguiu revelar as motivações mais profundas que o levaram ao Carmelo, e provou com satisfação que o seu discernimento tinha sido coerente. A partir daí ele pode fazer a seguinte releitura na vida solitária:

A ponta de uma rocha é para ele uma poltrona mais preciosa do que o trono de um rei. Sentado neste site ele espera com saudade que o tempo do seu exílio chegue ao fim” (Vida Solitária nº 8). 

Os migrantes sofrem geralmente rejeição do local onde chegam. Por natureza, temos medo do que é diferente, a relação com o estranho pode aparecer como um objecto de desejo ou de repulsão. 

Palau estava perfeitamente consciente de que os seres humanos se comportam de forma diferente quando estão no seu próprio espaço e quando o deixam:

Estava bem persuadido de que um país, que tolera os animais mais ferozes do inferno, daria hospitalidade a um pobre homem solitário expulso do seu convento pela revolução e viria pedir-lhe asilo Mas eu estava errado, as pessoas deste país viram o meu genero de vida e o julgau, e desde o primeiro dia que me viram entrar numa caverna eles ficaram escandalizados” (Vida Solitária Nº 14).

Como podemos ver, ele é vítima directa de um sistema injusto e de uma visão míope da realidade.

É por isso que, como Carmelo Palautiano, devemos sentir-nos herdeiros e portadores da tocha da fé do Padre Palau, contemplando nas nossas comunidades o sol da justiça e tomando nas nossas mãos a missão do migrante de experimentar-se acompanhado, contido e, sobretudo, com uma dignidade que nenhuma condição lhe pode tirar.

Que nesta viagem a paixão (entendida como dor ardente) pela Igreja nos impele a percorrer novos caminhos, tentando responder às realidades que nos desafiam como Carmelo Palautiano a reconhecermo-nos capazes deste empreendimento; uma vez que a experiência de Francisco Palau, do qual nascemos, é fruto de uma história de exílio, de deixar a sua própria terra como consequência da sua missão.

 

Trad. Hna. María Ahumada, CMT

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